Sobre Solidariedade de Classe

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Há centenas de anos, grande parte do povo ao qual eu pertenço foi retirado violentamente de nosso lugar de origem e jogado em diversas outras partes do planeta na condição de colonizado, na pobreza e vitima da opressão, e como um descendente de Africano, sofro com as consequências disso até hoje. Todos e Todas jogadas na mesma condição que eu são meus irmãos e irmãs. Paralela à condição de descendente de Africano, sou também um nascido no Brasil, pobre e preto. Sou parte de uma classe composta de mais de 55% da população sem acesso a educação de qualidade, moradia digna, condições de trabalho, saúde, participação na economia nacional e na riqueza do país que nós construímos, com nossos braços e pernas, sem receber o mínimo de retorno, contra cerca de 6% que é dona de tudo isso injustamente. Para que todos tenham, é necessário que eles deixem de ter.

Por esses motivos, eu me entendo como Panafricanista e Socialista. Me posicionar dessa forma me ajudou, no decorrer da assimilação do universo militante, a observar além dos discursos dos grupos de esquerda que conheci e observá-los como realmente são.

Sou um espectador do horário eleitoral, por exemplo. Assisto aos programas de todos os partidos, principalmente os de esquerda, que se dizem comprometidos com uma tal “revolução”. Muitos desses partidos negam a via eleitoral, pois afirmam ser uma das formas da burguesia dar a nós, explorados, a sensação de que temos poder de escolha sobre nossos governantes; ainda assim, disputam essas eleições, sob o pretexto de que se não fizerem, nenhum dos candidatos burgueses pautará questões de interesse à população. Estranho que os candidatos nessas eleições, sejam os mais “pelegos” ou mais “revolucionários”, fizeram a questão de NÃO pautar a questão racial. Somos mostrados, é verdade, em alguns programas eleitorais, como se tivéssemos uma dívida com tal partido; somos mencionados também, no jargão clássico da “repressão policial ao jovem trabalhador, em sua maioria negro”, eufemismo pra “genocídio da juventude preta, pobre e periférica”, mas parou por aí todo o estoque de luta antirracista que esses partidos têm.

Argumentam uns que a ausência do discurso racial vem do fato de que mesmo partidos que têm grande número de filiados negros são racistas, pois não há direção negra. Outros culpam os partidos ideológicos, que não têm grandes quadros negros em suas fileiras, por estarem mais concentrados nos meios universitários do que na “classe trabalhadora”, pois também são racistas. Sintomas fortes, sim, mas que denunciam uma doença muito maior: uma esquerda branca não ligará nunca para nós. Adaptam discursos bonitos da intelectualidade marxistas aos seus vocabulários, sim, falam de solidariedade de classe e de combate ao inimigo comum, mas a solidariedade de classe na prática deles é nula, pois ela só é legal na Europa, que a classe trabalhadora é branca, não é preta descendente de escravos. E o inimigo comum? No que depende desses militantes, o inimigo comum nunca será derrotado. É fácil notar o quanto eles se assemelham ao “inimigo comum” em seus espaço. E, se nos silenciar para que não questionemos os privilégios brancos, mas se apropriar de nossas pautas quando é oportuno não é um reflexo dos vícios do capitalismo, acho que não sei contra quem estamos lutando esses anos todos.

Se formos procurar uma alternativa, temos que lembrar que só a união da senzala faz o real terror na casa grande e é a festa da favela. Não dá, irmãos e irmãs, pra gente cair no erro de pensar que esses aí que nos negam espaço agora vão dar uma cadeira na mesa do poder de quando eles forem (se forem) os anfitriões, mesmo que muitos irmãos e irmãs já ocupem posições dentro desses espaços. Nem que a união política entre pretxs e entre mulheres pretas contra o racismo e machismo do branco esteja na lista de ideais desses militantes. Não recomendo também que encaremos todos os brancos como inimigos. Independente de ideal, nós pretos somos irmãos, e independente da iluminação da classe média, a elite vai continuar fodendo conosco da classe trabalhadora. Mas SÓ a unidade preta (união entre as nossas diversas posições politicas e ideológicas, para determinar os rumos da comunidade afro-brasileira e negra), somada a uma real solidariedade de classe (não a dirigência do sinhô e da sinhá, mas a real união de todos xs nossxs companheirxs de todas as cores da quebra pelo nosso bem comum) coloca abaixo as estruturas opressoras que nos sustentam. E que nenhum iluminado ignore a nossa lei pra ouvir a própria voz.

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por Lucas X

Como os EUA apoiam o Estado Islâmico: um “lançamento acidental” contra bilhões em ajuda militar dissimulada

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O jornal americano The Washington Post recentemente divulgou que o exército dos EUA acidentalmente jogaram de aviões um suplemento de armas que acabaram nas mãos do chamado “Estado Islâmico”, ou EI. Enquanto uma combinação de fatores sobre essa história parecem suspeitos, incluindo a divulgação de um vídeo de terroristas do EI vasculhando os suprimentos, divulgado pelo Grupo de Inteligência SITE, um fato permanece.

Enquanto os EUA dizem que “acidentalmente” deixaram armas cair nas mãos do EI, na realidade, os EUA tem armado, financiado e ajudado o EI e seus afiliados diretamente ou indiretamente por meio da Arábia Saudita, Qatar, Jordânia ou Turquia pelo menos desde 2011.

O EI não apareceu da noite pro dia

Longe de brotar das dunas do norte do Iraque ou do leste da Síria, a ascensão do ISIS é a execução literal de uma bem estabelecida e documentada conspiração dos EUA. Talvez isso seja melhor resumido pelo profético relatório de 2007 “The Redirection: Is the Administration’s new policy benefiting our enemies in the war on terrorism?”, publicado no jornal The New Yorker e escrito pelo jornalista Seymour Hersh, ganhador do prêmio Pulitzer.

Ele dizia:

Para debilitar o Irã, que é predominantemente Xiita, a administração Bush decidiu, na realidade, por reconfigurar as prioridades no Oriente Médio. No Líbano, a administração cooperou com o Governo da Arábia Saudita, que é Sunita, em operações clandestinas que têm por fim enfraquecer o Hezbollah, a organização Xiita apoiada pelo Irã. Os EUA também fizeram parte de operações clandestinas que miram o Irã e seu aliado, a Síria. Um subproduto dessas atividades tem sido o reforço de grupos extremistas Sunitas que têm uma visão militante do Islã e que são hostis aos EUA e simpáticos à Al Qaeda.”

O que é o EI senão um “grupo extremista” que tem uma “visão militante do Islã” e é “simpático à Al Qaeda?” E com toda certeza o EI está minando tanto o Irã quanto a Síria, além do Hezbollah no Líbano e os aliados do Irã no Iraque também.

A ascensão de grupos extremistas na projetada “Primavera Árabe” é a história de como essas operações clandestinas, relatadas por Hersh, chegaram ao seu ápice na criação do Estado Islâmico.

A criação americana do Estado Islâmico

 

Imagem: Abdelhakim Belhadj, da Al Qaeda, posa ao lado do Senador americano John McCain. O lobby de McCain teria sido parte importante em assegurar à Al Qaeda e seus afiliados armas suficientes para derrubar o governo secular de Muammar Qaddafi na Líbia. Logo depois, os terroristas e suas armas achariam o caminho para a Síria por meio da Turquia, país membro da Otan.

 

O Departamento de Estado Americano, por meio de sua rede global de subversão externa, financiado e dirigido por meio da Fundação Nacional por Democracia (NED – National Endowment for Democracy) e uma série de falsas ONGs, desencadeou e coordenou insurreições por todo o Oriente Médio. Manifestantes serviram de cortina de fumaça por trás da qual militantes fortemente armados começaram campanhas de violência contra as forças de segurança das respectivas nações miradas. A violência no Egito foi amplamente ignorada por causa da velocidade com qual o Governo desmoronou e os confrontos cessaram. No entanto em nações como a Líbia e a Síria, aonde os governos se manteram firmes, a violência continuou a crescer.

Enquanto os EUA tentaram simular ignorância, surpresa e até desgosto quanto à “Primavera Árabe,” ele iria em breve se alinhar abertamente com todos os grupos de oposição no Oriente Médio. Na Líbia, a visita do Senador americano John McCain em Benghazi, a Líbia iria ser a manifestação da ajuda militar, financeira e diplomática oferecida a militantes que lutavam contra o governo de Muammar Qaddafi.

Esses lutadores, como mais tarde seria revelado, não eram “rebeldes pró-democracia”, mas experientes militantes do Grupo de Combate Islâmico Líbio, uma frente oficial da Al Qaeda no norte da África. Um de seus líderes, Abdelhakim Belhadj, eventualmente ficou com o poder de Tripoli depois do desmoronamento do governo líbio, e tem uma foto tirada com o Senador McCain.

Depois da queda da Líbia, a Al Qaeda e seus filiados pegaram seus soldados e suas armas fornecidas pela OTAN e viajaram para combater na Síria. Eles entraram no país por meio da Turquia, país membro da OTAN.

O próprio Departamento de Estado dos EUA adminitiu que a frente na Síria da Al Qaeda, Jabhat al-Nusra (uma derivação do EI), estava entre os mais proeminentes grupos militantes lutando contra o Governo da Síria, de 2011 em diante. A declaração oficial do Departamento, entitulada “Designações terroristas da Frente al-Nusrah como um pseudônimo da Al-Qaeda no Iraque”, dizia explicitamente que:

“Desde novembro de 2011, a Frente al-Nusrah admitiu cerca de 600 ataques – variando de mais de 40 ataque suicidas até pequenos ataques e operações com dispositivos explosívos improvisados – nos principais centros, incluindo Damasco, Aleppo, Hamah, Dara, Homs, Idlib e Dayr al-Zawr. Durante esses ataques inúmeros inocentes sírios foram mortos”


Bilhões em armas, dinheiro e equipamento

Senador americano John McCain com membros do "Exército Livre da Síria". Vários dos homens na foto acabariam por cometer horríveis atrocidades sectárias.

Senador americano John McCain com membros do “Exército Livre da Síria”. Vários dos homens na foto acabariam por cometer horríveis atrocidades sectárias.


 

Está claro que a Al Qaeda teve a Líbia entre em suas mãos pela OTAN – intencionalmente. Também está claro que a Al Qaeda foi rapidamente mobilizada para a Síria e repetiu o sucesso da OTAN, dessa vez derrubando Damasco. O plano – como foi imaginado – era derrubar Damasco de forma rápida o suficiente para que o público geral não soubesse quem estava de fato lutando nas fileiras. Isso, por causa da resolução do povo sírio, não aconteceu.

De 2011 pra frente, os Estados Unidos e seus aliados, tanto europeus quanto regionais, supriram terroristas que lutavam contra o Governo da Síria com bilhões em dinheiro, armas, equipamentos, e até veículos. Relatos atrás de relatos na mídia Ocidental admitiam isso, mas sempre com a ressalva de que a ajuda estava indo aos tão chamados “moderados.” Por três anos esses “moderados” receberam a ajuda dos EUA, Reino Unido, membros da União Européia, Turquia, Arábia Saudita, Qatar e Jordânia.

No jornal Telegraph, em 2013, um artigo dizia:

“3 mil toneladas de armas datas da antiga Yugoslavia foram enviadas em 75 cargas de avião do aeroporto de Zagreb para os rebeldes, amplamente via Jordânia desde novembro.

O relato confirma as origens das armas da ex-Yugoslavia vistas nas mãos de inúmeros rebeldes em vídeos colocados na internet, como descrito no último mês pelo The Daily Telegraph e outros jornais, mas sugere quantidades muito maiores do que antes suspeitado. Os envios foram alegadamente pagos pela Arábia Saudita com o convite dos Estados Unidos, com assistência e suprimentos de armas organizados por meio da Turquia e da Jordânia, vizinhos da Síria. Mas o relato adicionou que, assim como da Croácia, armas vieram “de vários outros países europeus, incluindo a Inglaterra”, sem especificar se elas eram fornecidas pela Inglaterra ou adquiridos.

É sabido que consultores do exército britânico, no entanto, estão operando em países que fazem fronteira com a Síria, assim como franceses e americanos, oferecendo treinamento para os líderes rebeldes e antigos membros do exército sírio. Também se acredita que os americanos estão dando treinamento em bases de armas químicas dentro da Síria.”

Adicionalmente, o The New York Times, em seu artigo “Envio de armas para Rebeldes Sírios cresce, com ajuda da C.I.A”, admite que:

Com a ajuda da C.I.A, governos árabes e a Turquia têm aumentado a sua ajuda militar para soldados de oposição Síria nos meses recentes, expandindo uma carga aérea secreta de armas e equipamento para o levante contra o Presidente Bashar al-Assad, de acordo com dados de tráfego aéreo, entrevistas com oficiais de vários países e contas de comandantes rebeldes.
A carga aérea, que começou em uma escala pequena no começo de 2012 e continue intermitentemente durante o último outono, foi expandida em um fluxo estável e muito mais pesado durante o útlimo ano, os dados mostram. Também cresceu no sentido de incluir mais de 160 vôos de cargas pela Jordânia, Arábia Saudita e Qatar em aviões militares que aterrissam no aeroporto de Esenboga perto de Ankara e, num nível menor, em outros aeroportos na Turquia e Jordânia.”

O departamento de Estado americano também anunciou que estaria enviando centenas de milhões de dólares em dinheiro, equipamento e até em veículos armados para militantes operando na Síria, juntamente com seus aliados para “alcançar” o objetivo de chegar a mais de um bilhão de dólares. O New York Times reportou em seu artigo, “[John] Kerry diz que os EUA dobraram a ajuda para os rebeldes na Síria,” que:

Com o compromisso de ajuda, o montante total de assistância não-letal dos EUA para a coalizão e grupos civis dentro do país é de 250 milhões de dólares. Durante o encontro aqui, o senhor Kerry pediu a outras nações que aumentem sua assistência, com o objetivo de prover 1 bilhão de dólares em ajuda internacional.”

Os EUA também admitiram que estão oficialmente armando e equipando terroristas dentro da Síria. O artigo do The Washington Post, “Armas americanas alcançando rebeldes sírios”, relatou:

“A CIA começou a entregar armas para os rebeldes na Síria, terminando meses de atraso em auxílio letal que havia sido prometida pela administração Obama, de acordo com oficiais dos EUA e figuras sírias. Os envios começaram a entrar no país nas últimas duas semanas, juntamente com entregas distintas do Departamento de Estado de veículos e outras máquinas – um fluxo de material que marca uma grande escalada no papel dos EUA na guerra civil da Síria.”

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Mais recentemente, dezenas de picapes “Toyota Hilux” foram fornecidas para terroristas na fronteira da Turquia com a Síria, que depois seriam vistos entre os comboios do EI invadindo o norte do Iraque. Em uma reportagem entitulada “Essa picape da Toyota está no topo da lista de compras do Exército Livre da Síria – e do Taliban,” dizia:

“Recentemente, quando o Departamento de Estado Americano retomaram os envios de ajuda não-letal para os rebeldes sírios, a lista de entrega incluía 43 picapes da Toyota.

Hiluxes estavam na lista de desejos do Exército Livre da Síria. Oubai Shahbander, um representante da Coalizão Nacional Síria que mora em Washington, é um fã do veículo.”

A questão é: se bilhões foram enviados a “moderados” pela Arábia Saudita, Qatar, Jordânia, Turquia, Inglaterra e EUA, quem esteve financiando, armando e equipando a EI ainda mais?

A narrativa americana mendiga por crença

O EI tem tantos recursos em sua disposição que não só é supostamente capaz de substituir os tão chamados “moderados” na Síria, mas também tem a capacidade de lutar simultaneamente contra a força militar do Líbano, Síria e Iraque – pra não mencionar a ameaça à segurança nacional da Rússia e da China e – assim devemos acreditar – levar em frente uma campanha global de terror contra alvos ocidentais do Canadá e Estados Unidos, em toda a Europa e até à longínqua Austrália.


É uma narrativa que implora por crença. A explicação mais simples, é claro, é a de que nunca houveram “moderados” e que os EUA e seus aliados, precisamente como o renomado jornalista Seymour Hersh avisou em 2007, fez crescer um exército regional de terroristas sectários para lutar uma guerra sem precedentes com o fim previsível sendo uma orgia de genocídio e atrocidades – também avisada por Hersh em seu artigo profético.

Na realidade, o relatório de Hersh também havia dito:

Robert Baer, um ex-agente de longa data da CIA no Líbano, tem sido um crítico severo do Hezbollah e tem advertido sobre suas conexões com o terrorismo patrocinado pelo Irã. Mas agora, ele me disse, ‘nós temos árabes Sunitas se preparando para um conflito cataclísmico, e nós vamos precisar de alguém que proteja os Cristãos no Líbano. Antigamente os franceses e os EUA faziam isso, mas agora será Nasrallah e os Xiitas.’”

Como, se não como um “conflito cataclísmico”, poderia a campanha regional do EI ser descrita? E não foram os libaneses, sírios, iranianos e sunitas iraquianos, bem como muitos sunitas seculares e esclarecido que acabaram no socorro daqueles que o EI fazia como alvo?

A evidência é esmagadora. Considerando o apoio americano a terroristas e extremistas em lugares como o Afeganistão nos anos 1980 ou até o atual apoio americano ao Mujahideen-e Khalq (MEK), seria difícil acreditar que os EUA não estavam envolvidos na subida e direção de um exército que luta contra múltiplos regimes que os EUA abertamente querem substituir.

Por fim, se uma caixa de armamentos entregue nas mãos do Estado Islâmico por acidente é ou não um ponto discutível, bilhões em dinheiro, armas, equipamento e veículos já foram intencionalmente entregues aos vários grupos que o EI representa, como planejado em 2007. O EI é uma criação intencional dos EUA na sua busca por uma hegemonia regional no Oriente Médio, e as atrocidades do EI foram profetizadas muito antes dos primeiros tiros terem sido disparados em 2011, no conflito sírio, muito antes do termo “Estado Islâmico” ter se tornado famoso.

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Artigo escrito por Tony Cartalucci, e publicado no site do Centro de Pesquisa da Globalização em 23 de outubro de 2014.

Traduzido por Pedro Marin, Revista Opera. 


Quem deixou os ratos saírem?

(Foto: Gabriel Jacobsen)

(Foto: Gabriel Jacobsen)

Uma certa direita, extremamente exaltada (ao ponto de parecer piada), radical no liberalismo econômico e feroz no conservadorismo social, há algum tempo tem aparecido no Brasil. Os ratos têm saído de suas tocas. Seu dicionário é limitado; nele aparecem somente palavras como “Cuba”, “PT, “Venezuela”, “black blocs” e “terroristas”. Seu manual ideológico ostenta em seu título “Como não ser um idiota”, e seus messias são comediantes de terceira linha (que, de trás de suas mesas, riem e fazem rir do triste; fazem piada do óbvio), filosoastrólogos em exílio auto-imposto e músicos cujos únicos palcos remanescentes são cavernas – e, como não poderia deixar de ser, o público é constituído de bárbaros sem respeito por qualquer tipo de lei de convivência.

É a elite, que do alto da sua arrogância julga o povo pobre como não-civilizado – mas esparrama tachinhas em ciclovias, avança em pedestres nos sinais fechados do Brasil e agride cadeirantes. O crescimento dessa direita rancorosa é explicado pelos passos dados no último ano; negros em universidades, pobres em aeroportos, empregadas com carteiras de trabalho. Mas essa alta nesse pensamento é também um reflexo do nível de complexidade dele.

Vamos a um exemplo: há algum tempo, Lobão, o cantor cavernoso, declarou em uma comissão que a proibição de “opinar” sob pseudônimos era um ataque à democracia. O cantor se preocupava especificamente com suas campanhas anti-jabá. Lobão lançou mão de um exemplo: hoje, Julinho da Adelaide não seria possível. Para os que não conhecem, Julinho da Adelaide foi um pseudônimo usado por Chico Buarque durante o período militar, para se esquivar da censura prévia. O que Chico fez, obviamente, não seria considerado legal, e poderia custar sua liberdade política ou sua vida – não um contrato com alguma gravadora específica. Mas Lobão ignora isso, e inverte a questão: com a lei de hoje, não poderia existir Julinho da Adelaide – ao invés de: hoje Julinho da Adelaide não precisaria existir.

Mas para os menos instruídos, os mais distraídos, ou os mais interessados (em entender o que lhes interessa) o pensamento de pouca profundidade é genial. É um escândalo: “os que vangloriam Julinho da Adelaide fizeram com que algo semelhante fosse proibido”. O show está feito, os “hipócritas” foram desmascarados; mais soldados no front. Os problemas lógicos são encapuzados pelo show; o mesmo ocorre com o anticomunismo. A falta de provas de determinada blogueira contra Cuba, por exemplo, é encapuzada pela existência da blogueira. É a novidade, ela “desmascarou” a repressão. A mesma lógica é aplicada à Coreia: os esforços em procurar provas que sustentem uma acusação são inversamente compatíveis com o quão absurda a acusação é.

Infelizmente, parte da esquerda se nega ao combate, por achar essa direita demasiadamente ridícula. Tratam o assunto como festa, não como protesto. O fato é que essa lógica rasa, aliada ao fator espetáculo, leva e levará muita gente com ela. É evidente que absurdos como o anarco-capitalismo nunca serão implantados, mas isso não impede que esse discurso motive alguns, e não impede que esses alguns sejam usados.

Na última terça-feira, o discurso raso e o ódio de classe trouxe consequências profundas. Um grupo de três homens teria descido de um carro e tentado obrigar um conhecido blogueiro petista – que, por decorrência de uma doença degenerativa, é cadeirante – a tirar sua camisa vermelha, junto com seu broche e seus adesivos. Depois de recusar, o blogueiro teria tomado um tapa, e os agressores teriam tentado derrubá-lo de sua cadeira, o chacoalhando. Não é porque você é um aleijado comunista que não mereça uma surra para te endireitar”, disseram.

O comportamento é assustador. O ódio político destes teria conseguido ser intenso o suficiente para, não só agredir em maior número, mas agredir também alguém com mobilidade reduzida. Trata-se de um comportamento ganguista e, como sabemos, a derrota de uma gangue se dá quando ela é expulsa, quando ser um membro é motivo de vergonha ou medo.

Hoje, a esquerda (ou o que na visão dos bárbaros é considerado esquerda) é a temerosa. Talvez seja reflexo do fato de nossa ditadura (lembrem-se: altamente liberal na economia, altamente conservadora no social) não ter terminado. Quando os franceses mudaram seu sistema, degolaram os monarcas e destruíram a santa coroa. Aqui, os bárbaros gorilas do século passado seguem ilesos, morrendo como sonhamos morrer: sem preocupações, em uma confortável cama, talvez com os familiares ao redor. A pergunta: temerosos até quando? Pode ser tarde demais…

Evo e o futuro da Bolívia

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No último domingo (14/10/2014), Evo Morales venceu as eleições para presidente do Estado Plurinacional da Bolívia. O primeiro presidente indígena do país agora tem a chance de ser o presidente com mais tempo no cargo, já que vai para o seu terceiro mandato consecutivo.

Na Bolívia o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e o país tem uma população maior de 10 milhões de pessoas. Nessas últimas eleições, cerca de 6 milhões compareceram às urnas, incluindo mais de 200 mil bolivianos que residem no exterior e pela primeira vez puderam votar. Evo Morales venceu com cerca de 60% dos votos, cerca de 35 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Samuel Medina, que obteve 25% dos votos; o terceiro colocado, Jorge Quiroga, obteve 10%. As eleições na Bolívia contaram com a presença de organismos internacionais como a OEA (Organização dos Estados Americanos), a EU (União Europeia) e a UNASUL (União das Nações Sul-Americanas), para observarem o processo eleitoral do país.

Segundo analistas, Morales se elegeu devido à falta de discursos convincentes por parte de seus adversários, embora a boa fase econômica também teria corroborado para a vitória do socialista. Já a oposição considera que o uso de propaganda pró-Morales na mídia estatal tenha tido um importante papel nessa vitória. Enfim, não faltam justificativas por parte dos críticos ao governo de Evo para a sua vitória. No entanto, a vitória de Evo Morales tem mais a ver com a sua competência como presidente do que com discursos e propagandas, visto que Morales venceu nos departamentos de Tajira, Pandro e Santa Cruz, tradicionais redutos da oposição.

Evo Morales Assumiu a presidência da Bolívia em 2005 e a partir daí vem superando a herança negativa deixada ao país pelo neoliberalismo praticado pelos governos que o antecederam. Morales investiu na infraestrutura do país e o modernizou e ao mesmo tempo reduziu a pobreza com programas de redistribuição de renda e inclusão social.

Em 2008 a Unesco declarou o país livre de analfabetismo; a pobreza do país foi de 38% em 2006 para 20% em 2013, ou seja, cerca de 2 milhões de bolivianos saíram da pobreza extrema no decorrer desse período. Além disso, não se pode ignorar o fato da estimativa de vida ter aumentado, da mortalidade infantil ter diminuído, o IDH ter aumentado juntamente com os números de empregos formais. No que diz respeito a política macroeconômica, em 2006 a dívida pública era de 60 % do PIB, atualmente é de cerca de 33%, sendo que a taxa de crescimento tem aumentado de lá para cá e o PIB per capita dobrou.

A conclusão a se tirar é: Evo Morales mais uma vez se elegeu não pela falta de um discurso convincente no que diz respeito a representação por parte de seu opositores, ou pela propaganda a seu favor nas mídias do estado, ou ainda pelos bons ventos econômicos que sopram por lá. Morales se reelegeu porque fez com que o país avançasse como nunca antes haviam conseguido fazê-lo avançar. Tendo em vista que os principais opositores de Evo Morales são políticos que fizeram parte da anterior era neoliberal sob influência dos EUA, vivida no país até 2006, Morales venceu porque a população boliviana escolheu o caminho do progresso ao retrocesso, preferiu o desafio de se reinventar enquanto nação e se tornar cada vez mais independente, ao invés do caminho do conservadorismo. Enfim, Evo venceu porque deixou de lado velhos discurso e partiu junto com o povo de seu país, para novas práticas.

por Glauber M. Florindo

Junho na urna

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

As ditas Jornadas de junho de 2013 ainda reverberam dissonantes na cabeça de quem considerou pensá-las como indício de uma mudança na forma de pensar e de agir do povo brasileiro, sobretudo, dos que residem nas grandes cidades. As eleições ocorridas no último dia 5 serviriam de termômetro desta mudança, no entanto, vimos a vitória do conservadorismo.

A importância do legislativo no arranjo institucional do Estado, em conjunto com a necessidade de sua renovação, amplamente difundida após junho, ao que parece não deu em nada. O que começou nas ruas, não acabou nas urnas, se fragmentou e se dissolveu em meio a ressignificação de tudo que tem ocorrido no Brasil desde então.

Não vou entrar no mérito dos detalhes, uma vez que não são poucas as análises publicadas acerca da pouca renovação parlamentar, da entrada de elementos conservadores no lugar de parlamentares que defendiam pautas progressistas.

A questão é que, seja qual for o presidente eleito, o Brasil terá sérias dificuldades, no que diz respeito ao legislativo, de debater questões que têm sido recorrentes na sociedade brasileira. Ganham força o debate sobre a redução da maioridade penal, e entram em recessão questões vinculadas às minorias, como criminalização da homofobia, descriminalização e regulamentação do uso da maconha e da prática do aborto. E Continuarão estagnadas questões como a da mobilidade urbana e da reforma agrária, assim como a questão indígena. Enfim, teremos que aguentar o desserviço de Russomanos, Felicianos e Bolsonaros por mais alguns anos.

O medo de ir à frente, por parte da sociedade brasileira, em certa medida, sempre existiu, neste ponto não vejo nenhuma surpresa. No entanto, o que chama a atenção é o fato de que as jornadas de junho em 2013 terem nos indicado exatamente o contrário. De lá pra cá, o que mudou?

Os eventos de junho, simbolizaram o retorno das demandas suspensas pelo Golpe Civil-Militar ocorrido em 1964. Naquela ocasião o Brasil vivia uma democracia ascendente, o povo se manifestava e demandava mudanças, e, no primeiro sinal de que as mudanças começariam a ocorrer, o Golpe.

De 2002 até o hoje o Brasil avançou muito em vários setores, saiu do mapa da fome, conseguiu controlar a inflação mantendo o poder de compra da população, houve uma expansão do acesso ao ensino superior, diminuição do desemprego, aumento do poder de compra do salário mínimo etc. Não podemos cair aqui na armadilha do reformismo, o governo do PT não fez as transformações necessárias para uma sociedade mais igual e, ao mesmo tempo em que medidas “superficiais” foram implementadas (e os efeitos delas devem sim ser comemorados), tivemos um posicionamento econômico um tanto quanto estranho, no que diz respeito ao privilégios dados à iniciativa privada.


Importa aqui, considerarmos que o Brasil em 2013 deu mostras de que voltava às demandas estruturais da nossa sociedade, mas desde julho o que tivemos foi o crescimento de um conservadorismo absurdo. Talvez o que tenha imperado sobre a opinião pública explícita em 2013, tenha sido a opinião publicizada pela grande imprensa (inclui-se aí colunistas nem um pouco éticos, artistas em fim de carreira e até mesmo astrólogos que fingem ser filósofos).

Mas se o Congresso, a partir de 2015, será um dos mais conservadores da história, podemos imaginar que a regulamentação da mídia será uma outra pauta a ser deixada de lado.

Resta contra todo este aparato, um desafio para a esquerda brasileira: a de pensar seu posicionamento em conjunto, talvez a única coisa passível de ser mudada no decorrer dos próximos anos. Mas ao que parece a esquerda se abstém frente ao subserviência do PT ao grande capital. Fica a pergunta, será preciso que mais um ciclo se complete? Mais uma vez teremos o retrocesso antes de que as pautas progressistas ganhem de fato a chance democrática do debate? Mais uma vez a esquerda vai se compadecer e permitir a volta do conservadorismo? A ver…

Duas epidemias

(Ilustração de André Carrillo)

(Ilustração de André Carrillo)

Desde que vi as primeiras notícias sobre ebola, compreendi que o fato dele não ser comentando até atingir americanos é porque até então se tratava de uma epidemia que só trazia riscos e mortes para negros africanos. Surtos de ebola atingiram países da África em 1995, 2000 e 2007, mas foram controlados, o surto atual não só não foi controlado, como atingiu pessoas de outros continentes, já se fala de 4 mil mortos e a “cura” só parece interessar agora, porque outros países correm risco, como cantava Sabotage “Naum sei que mata mais, A fome, o Fuzil ou o Ebola ?”, mas mata quem? Afinal, enquanto só negros morriam parecia que estava ok, para o mundo todo.

Enfim, não dá pra fingir que a forma como os países do mundo olharam pra doença que até então só atingia africanos não é uma prova do racismo institucionalizado, pautado na saúde. Não ter acesso à saúde de qualidade é uma determinante na vida de muitos negros, não só do continente africano mas do Brasil também, quando a mulher negra e pobre aborta e morre, e a branca não, por poder pagar uma clinica e ter acesso a procedimentos seguros, estamos usando a negação ao acesso a um sistema de saúde digno como arma pro genocídio de negros e esse é só um exemplo, porque é possível traçar milhares que afetam em sua maioria negros.

O problema é que o racismo não fica só no campo da vida real, atualmente parece que ele encontrou um novo meio pra se propagar. Mal virou notícia um provável caso de ebola no Brasil (o primeiro exame de confirmação deu negativo), que na internet já se via comentários como:

“Não que eu seja racista, mas eu acho que esse NEGRO que tá com ebola, lá no Rio de Janeiro, deveria ser sacrificado. Vale ressaltar que quando uma atitude é para o beneficio da maioria, não é considerada uma atitude anti-ética.”

O clássico do racismo; primeiro se nega que é racista, depois o show de racismo não para, evidenciando que não se trata de qualquer pessoa, é um negro, que como animal não é morto e sim sacrificado, fortalecendo ainda mais a separação racista criada pelo autor da frase, afinal negro não é gente na cabeça dos racistas. E como sempre a resolução vem a partir da morte, não muito diferente do que é promovido pelo Estado, ou morremos na mão da polícia pacificadora, ou nas cadeias que são as senzalas do século XXI.

É impressionante como as redes sociais vêm sendo invadidas por essas manifestações e como elas são diversas, ao meu ver um novo tipo de epidemia. O vírus que causa o Ebola nunca deixou de existir, e no caso o racismo brasileiro também não. O que temos são inúmeras manifestações, desde páginas com o nome Orgulho de ser Branco, a outras que apoiam a torcedora racista do Grêmio. Ambas com discurso de ódio e racismo, mas que aos olhos do administradores do Facebook, não são nada demais; denúncias são feitas e esses conteúdos continuam existindo.

E não se trata de liberdade de expressão, o que vemos ser permitido é a liberdade de opressão.

Não é à toa que esse é só um dos vários comentários que circulam na rede em relação ao ebola, as pessoas não temem em serem racistas, elas não só o são como expõem isso. Fazendo uma pequena busca pelo twitter podemos encontrar uma página que tem como foco evidenciar o racismo sofrido por empregadas domésticas, em sua maioria mulheres negras (a base da pirâmide social brasileira), que além de lidar com as condições do trabalho cansativas e exploratórias, na maioria das vezes, ainda viram assunto de posts agressivos em redes sociais, feitos pelos seus “Senhores”.

Não me assusta nem um pouco os comentários racistas e outras manifestações de ódio, como o trecho citado acima, e nem me surpreende a forma como Africanos estão sendo tratados, ou melhor dizendo, não tratados por nenhum medicamento, vacina, a ponto de milhares terem morrido até hoje. O que me assusta é saber que é mais fácil encontrar uma cura pro ebola, do que para o racismo do brasileiro, aquele que como um vírus não vemos, mas que mata; não é à toa que morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012.

Torço pela cura do ebola, torço para que negros não morram mais por conta dessa doença e torço para que o brasileiro assuma seu racismo e parta para desconstrução, porque como está só tende a piorar.

Por Stephanie Ribeiro

Pé na porta

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Desde moleque, quando me descobri negro, eu fiquei curioso e me posicionei, mesmo que às vezes involuntariamente, na questão racial. Ser fruto de uma família negra periférica, cujo pai é um militante de esquerda e a mãe uma admiradora do samba me ajudou muito a atiçar mais minha curiosidade e formou melhor minha posição. Ter bolsa em uma escola particular também. Podem pensar que não, mas meu contato com uma classe média branca, além do choque, me proporcionou diversas visões de uma realidade que até então, na quebra, eu não conseguia ter. Me ajudou a enxergar que, no Brasil, o buraco é bem mais embaixo, e quanto mais descemos, mais enxergamos algo que não é mostrado: a ditadura racial. A palavra pode assustar, então eu vou tentar defini-la, para que não haja dúvida: Nessa ditadura, somos incentivados a não nos assumirmos ou acusarmos qualquer pessoa de cometer o crime de ser negro e, por consequência, tudo que envolve a palavra “negro”, sua cultura e suas tentativas de rebelião contra essa ditadura é reprimido e até demonizado. Desde a televisão não nos retratando até a polícia nos matando, a cultura de submissão e da chamada “cordialidade” entre as raçasnos invisibilizou e não nos contemplou desde a nossa chegada no Brasil. Temos nossa história original apagada e somos forçados a nos ver apenas como coadjuvantes dos senhores de escravos que aqui invadiram, mera força de trabalho que um dia foi necessária, mas que hoje é menos que útil, é irrelevante.

Mas sempre tem os revoltados, e conosco não foi excessão. De quilombolas a sambistas, até o rap, tantos rebeldes batucavam na cozinha enquanto a sinhá não queria e combateram armados ou não todos os empecílios que se jogaram sobre nós; de Marighella a Clementina, passando por Martinho da Vila e Maria Carolina, de cabeça erguida e costas marcadas, nos diziam para lutar sempre, pois esse mundo não era nosso e devíamos construir o nosso a partir das ruínas do deles. A maioria, pelo contrário, aprendeu com o sinhô e nos ensinou a esperar deles as migalhas que nos eram destinadas. Em troca de vidas perdidas e da obediência, tivemos menos educação, menos segurança, respeito, e muitas gerações perdidas pela bala e pela submissão da vontade de poucos sobre condições de vida de muitos. Mas não a nossa.

Somos uma geração de pretos e pretas que chegou com tudo contra a submissão e a ditadura racista que nos mata dia a dia, que se posiciona na frente do debate contra a opressão que sofre, que cansou da relação doentia de sinhô x escravo que os mais doentes chamam de cordialidade, e que sabe que essa cordialidade nada mais é que o nosso eterno direito de permanecer calado e imóvel até segunda ordem, que não vê ofensa racista só como brincadeira, que não vê os números do Genocídio como caso isolado, que não vê cota como esmola e que vê a justiça sempre do lado que não é o nosso. Quando Aranha bateu no braço e gritou “sou negrão”, nós gritamos junto com ele; Quando as pretas pixaram “racista” na fachada da Rede Globo, em resposta ao (mais novo, não primeiro e nem último) programa “Sexo e as Nega”, pixamos junto; Quando o menino, cansado de não ver personagens negros em desenhos e gibis, pintou toda a “Turma da Monica” de marrom, pintamos junto; E sobre as mortes de nossas irmãs e irmãos, 3000 outros irmãos e irmãs nossos ocuparam a Paulista e mais milhares eocuparam outras 15 cidades exigindo o fim dessas mortes.
Uma nova geração de pretos se manifesta agora, com o pé na porta, plural em ideologias mas unificada na luta e pronta pra defender a si e a seus irmãos e irmãs, pois já que a hipocrisia deles acabou, a nossa paciência também, nossa omissão e medo de agir também. Mais uma vez, enquanto for necessário, a fúria negra ressuscita.

- Por Lucas X