Envio de armas à Ucrânia é aprovado pelo Congresso dos EUA

GERALDOVANDRE

(Foto: Lawrence Jackson/ whitehouse.gov)

Na última segunda-feira (23), o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução insistindo para que o Presidente Barack Obama aprove o envio de armas letais à Ucrânia.

A resolução foi aprovada por 348 votos contra 48. Representantes de ambos os partidos votaram a favor da medida.

“Políticas como essa não devem ser partidárias”, disse o membro do Congresso Eliot Engel, do Partido Democrata. “É por isso que hoje nos levantamos como Democratas e Republicanos, como americanos, para dizer ‘já basta’ na Ucrânia.”

O Comandante-Maior das Forças Armadas, General Martin Dempsey, disse que os EUA devem “considerar absolutamente” a possibilidade de enviar armas à Ucrânia. A proposta também tem o apoio do Secretário de Defesa Ashton Carter, que disse estar inclinado nessa direção.

O assassinato da Grécia: Parte dois

GERALDOVANDRE

(Foto: consilium.europa.eu)

Por James Petras | Voltaire.net | Tradução de Gabriel Duccini para a Revista Opera

(Confira a primeira parte desse artigo clicando aqui)

Ascensão do Syriza: Legado duvidoso, luta de massas e promessas radicais quebradas

O crescimento do Syriza de uma aliança de pequenas seitas marxistas para um partido eleitoral de massas é, em grande parte, reflexo da incorporação de milhões de funcionários públicos de classe média baixa, pensionistas e pequenos empresário ao partido. Muitos anteriormente apoiaram o PASOK. Votaram no Syriza a fim de recuperar as condições de vida e segurança no trabalho do período anterior de “prosperidade” (2000-2007), que eles alcançaram no seio da UE. Sua rejeição radical ao PASOK e ao Nova Democracia veio após 5 anos de sofrimento agudo, que poderia ter levado a uma revolução em algum outro país. Seu radicalismo surge com protestos, marchas e greves que foram tentativas de pressionar os regimes de direita para alterar o curso da UE, para acabar com a austeridade, mantendo a adesão à UE. Este setor de SYRIZA é “radical” no que se opõe hoje e conformista com a sua nostalgia do passado. O Tempo de euros financiando viagens de férias para Londres e Paris, o crédito fácil para comprar carros importados e dos gêneros alimentícios, para se “sentir moderno” e “europeu”, e falar Inglês!

A política da Syriza reflete, em parte, este setor ambíguo de seu eleitorado. Em contraste, o Syriza também garantiu o voto de radicais jovens desempregados e trabalhadores que nunca fizeram parte da sociedade de consumo e não se identificavma com a “Europa”. O Syriza surgiu como um partido eleitoral de massa no curso de menos de cinco anos e os seus apoiadores e liderança refletem um alto grau de heterogeneidade.

O setor mais radical ideologicamente é formado principalmente por grupos marxistas que originalmente se uniram para formar o partido. O setor de jovens desempregados se juntou, na sequência, após protestos contra a polícia, que resultaram no assassinato de um jovem ativista durante os primeiros anos da crise. A terceira onda é em grande parte composta de milhares de funcionários públicos, que foram demitidos, e os funcionários que sofreram grandes cortes em suas pensões, aposentados por ordem da Troika em 2012. A quarta onda são ex-membros do PASOK que fugiram do navio quando ele estava afundando.

A esquerda do Syriza é concentrada numa base de massas e entre líderes de movimentos locais. Os principais líderes do Syriza são acadêmicos, muitos do exterior. Muitos são membros recentes ou sequer são membros do partido. Poucos estiveram envolvidos na luta de massas – e muitos têm poucos vínculos com as bases militantes. Eles estão mais ansiosos para assinar um “acordo” que vá vender os gregos empobrecidos.

Como o Syriza avançou para a vitória eleitoral em 2015, começou a tornar seu programa de mudanças estruturais radicais (“socialismo”) mais pragmático e adotou medidas destinadas a acomodar os interesses das empresas gregas?

Tsipras falou sobre “negociação de um acordo”, no âmbito da União Europeia, dominada pela Alemanha. Tsipras e seu ministro das Finanças propuseram renegociar a dívida, a obrigação de pagá-la e 70% das “reformas”! Quando foi assinado um acordo, eles capitularam totalmente!

Por um breve período, o Syriza manteve uma posição “dual” de oposição à austeridade ao mesmo tempo que falava em chegar a um acordo com seus credores. Tais políticas “realistas” refletem a posição dos novos ministros, de origem acadêmica, ex-membros do PASOK, e em menor escala a classe média proletarizada. A retórica radical do Syriza refletiu a pressão dos desempregados, dos jovens e dos pobres em massa que estão pondo tudo a perder, caso um acordo com os credores for negociado.

UE-SYRIZA: Concessões antes da luta conduzem à rendição e derrota

A “dívida grega” não é realmente uma dívida do povo grego. Os credores institucionais e os euro-bancos conscientemente fizeram empréstimos de alto risco para corruptos, oligarcas e banqueiros que desviaram a maior parte do dinheiro em contas na Suíça, especulação em Londres e Paris, e demais atividades desprovidas de qualquer capacidade de gerar renda para pagar a dívida. Em outras palavras, a dívida, em grande parte, é ilegítima e foi falsamente impingida ao povo grego.

O Syriza, desde o início das “negociações”, não põe em pauta a legitimidade da dívida nem identificou as classes particulares e empresas que devem pagá-la. Em segundo lugar, enquanto o Syriza desafiava as políticas de austeridade, não colocou um questão as organizações do Euro e insituições da União Europeia que as impuseram.

Desde o começo, o Syriza aceitou a adesão à UE. Em nome da “realpolitik”, o governo Syriza aceitou pagar a dívida ou parte dela, como base de negociação.

Estruturalmente, o Syriza desenvolveu uma liderança altamente centralizada, na qual todas as decisões importantes são tomadas por Alexis Tsipras. Sua liderança personalista limita a influência das tendências mais radicais do governo e as arquiva. Facilitou “compromissos” com a oligarquia de Bruxelas, que vão em contraste com as promessas de campanha e pode levar à dependência perpétua da Grécia aos credores e aos centros de decisão política da UE.

E mais além, Tsipras reforçou a disciplina partidária após o resultado de sua eleição, garantindo que quaisquer compromissos duvidosos não conduzirão a qualquer debate público ou revolta extra-parlamentar.

O Império contra o processo democrático da Grécia

A elite da UE, a partir do momento em que Syriza ganhou um mandato democrático, seguiu o curso autoritário típico de todos os governantes imperiais. Ela exigiu ao Syriza:

(1) Rendição incondicional

(2) A continuação das estruturas, políticas e práticas dos regimes de coalizão partido-vassalo anteriores (PASOK – Nova Democracia)

(3) Que o Syriza deixe de lado todas as reformas sociais (aumento de salário mínimo, o aumento das pensões, saúde, educação e gastos com desemprego)

(4) Que o SYRIZA siga as rigorosas diretrizes econômicas e supervisões formuladas pela Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional)

(5) Que o SYRIZA mantenha a meta de superávit primário do orçamento atual de 4,5 por cento do PIB em 2015-2017.

Para reforçar a sua estratégia de estrangulamento do novo governo, Bruxelas ameaçou cortar de maneira brutal todas as facilidades de crédito presentes e futuras, cobrar todos os pagamentos da dívida, acabar com o acesso a fundos de emergência e se recusa a apoiar as obrigações bancárias gregas – que fornecem empréstimos financeiros para as empresas locais.

Bruxelas presenteia o Syriza com a “escolha” fatídica de cometer suicídio político ao aceitar seus ditames e alienando seus apoiadores eleitorais. Por trair seu mandato, o Syriza vai enfrentar manifestações de massas furiosas. Rejeitando ditames de Bruxelas e prosseguindo para mobilizar a sua base de massa, o Syriza poderia procurar novas fontes de financiamento, a imposição de controles de capital e ir em direção a uma “economia de emergência” radical.

Bruxelas se fez de surda às primeiras concessões que Syriza ofereceu. Bruxelas deveria ver as concessões como passos em direção à capitulação completa, ao invés de vê-los como esforços para chegar a um “compromisso”.

O Syriza já sinalizou a Bruxelas para dar baixa no pagamento da dívida em grande escala, em favor da prorrogação do prazo para o pagamento da dívida. O Syriza se comprometeu a continuar o pagamento da dívida, desde que estejam ligados à taxa de crescimento econômico. Syriza aceita a supervisão europeia, desde que não seja conduzida pela odiada Troika, que tem conotações venenosas para a maioria dos gregos. No entanto, as mudanças semânticas não altera a substância da “soberania limitada”.

O Syriza já concordou com a dependência estrutural de longo e médio prazo, a fim de garantir tempo e margem de manobra para financiar seus programas de impacto popular, de curto prazo. Tudo o que Syriza pede é a flexibilidade fiscal mínima sob supervisão do ministro de finanças da Alemanha – que radicais!

O Syriza suspendeu temporariamente a privatização em curso de infra-estrutura de chave (portos e instalações aeroportuárias), os setores de energia e de telecomunicações. Mas não rescindiu a privatização deles, nem revisou a privatização passada. Mas para Bruxelas o “saque” de setores estratégicos lucrativos gregos é uma parte essencial de sua agenda de “reforma estrutural”.

As propostas moderadas do Syriza e seu esforço para operar no âmbito da UE estabelecida pelos regimes vassalos anteriores foram rejeitadas pela Alemanha e seus 27 lacaios na UE.

A afirmação dogmática da UE, de extremismo e políticas ultra-neoliberais, incluindo a prática de desmantelar a economia nacional da Grécia e a transferência dos setores mais lucrativos para as mãos de investidores do Império, encontra eco nas páginas de todos os grandes meios de comunicação impressos. O Financial Times, Wall Street Journal, New York Times, Washington Post e Le Monde são armas de propaganda do extremismo da UE.

Confrontado com a intransigência de Bruxelas a ter que enfrentar a “escolha histórica” de capitulação ou radicalização, o Syriza tentou persuadir aqueles que são os Estados-chave da UE. O Syriza realizou inúmeras reuniões com os ministros da UE. O primeiro-ministro Alexis Tsipras e o Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, viajaram para Paris, Londres, Bruxelas, Berlim e Roma em busca de um acordo de “compromisso, que não teve sucesso. A elite de Bruxelas insistiu repetidamente: “Dívidas terão de ser pagas integralmente e em tempo determinado.”

A Grécia deve restringir os gastos para acumular um superávit de 4,5% que iria garantir os pagamentos aos credores, investidores, especuladores e corruptos.

A falta de flexibilidade econômica ou a vontade da UE de aceitar até mesmo um compromisso mínimo é uma decisão política: humilhar e destruir a credibilidade do Syriza como um governo anti-austeridade aos olhos dos seus apoiadores locais e potenciais imitadores estrangeiros na Espanha, Itália, Portugal e Irlanda.

Conclusão

O estrangulamento do Syriza é parte integrante do longo processo de uma década de assassinato da Grécia por parte da UE. A resposta selvagem a uma tentativa heróica de um povo inteiro, atirados na indigência, condenados a serem governados por conservadores e social-democratas corruptos.

Impérios não entregam suas colônias através de bons argumentos ou pela falência de suas supostas “reformas” regressivas.

A atitude de Bruxelas para com a Grécia é guiada pela política de “domínio ou ruína”. “Bail out” (socorrer) é um eufemismo para a reciclagem do financiamento para a Grécia voltar para os Euro-bancos controlados, enquanto trabalhadores gregos e funcionários são confrontados com uma maior dívida e domínio contínuo. A política do “bail out” de Bruxelas é um instrumento para o controle por instituições imperiais, sejam chamados de “Troika” ou qualquer outra coisa.

Bruxelas e Alemanha não querem membros dissidentes; eles podem fazer algumas concessões menores para que o ministro das Finanças Vardoulakis possa reivindicar uma “vitória parcial” – uma farsa e eufemismo oco para um ato de nadar e morrer na praia.

O acordo do “bail-out” será descrito por Tsipras-Vardoulakis como “novo” e “diferente” do anterior ou como um “recuo estratégico”. Os alemães podem “permitir” à Grécia a reduzir seu superávit primário de 4,5 para 3,5 por cento no próximo ano – mas ainda vão reduzir os fundos para estímulo econômico e “adiar” os aumentos nas pensões, salários mínimos etc.

As privatizações e outras reformas regressivas não serão encerradas, serão “renegociadas”. O Estado vai controlar uma minoria.

Plutocratas serão convidados a pagar alguns impostos a mais, mas não os bilhões de impostos sonegados ao longo das últimas décadas.

Tampouco os cleptocratas do PASOK e o Nova Democracia serão processados por pilhagem e roubo.

Os compromissos do Syriza demonstram que os esforços da direita lunática (Financial Times, The Economists, NY Times) em caracterizar o partido como “extrema-esquerda” ou “ultra-esquerda” não possuem base na realidade. Para o eleitorado grego, a “esperança para o futuro” poderia guinar em ódio para o presente. Só a pressão das massas a partir de baixo podem reverter a capitulação do Syriza e os compromissos desagradáveis do Ministro de Finanças Vardoulakis. Já que ele carece de qualquer apoio popular, Tsipras pode simplesmente demití-lo, por assinar um “compromisso” que sacrifica interesses fundamentais do povo.

No entanto, se, de fato, o dogmatismo e a intransigência da UE excluem até mesmo os negócios mais favoráveis, Tsipras e Syriza, (contra os seus desejos) podem ser forçados a sair do Império do Euro e enfrentar o desafio de esculpir uma nova política e economia verdadeiramente radicais como um país livre e independente.

Uma saída bem sucedida da Grécia do Império de Bruxelas-Alemanha provavelmente levaria à dissolução da União Europeia, com outros estados vassalos rebelando-se e seguindo o exemplo grego. Eles podem renunciar não apenas à austeridade mas também ao pagamento da dívida externa e seus juros eternos. Todo o império financeiro – o chamado sistema financeiro global – poderia ser abalado. . . a Grécia poderia voltar a ser o berço da democracia.

A guerra da propaganda na Coreia

GERALDOVANDRE

(Foto: EFE)
por Pedro Marin | Revista Opera

Há algum tempo tenho nutrido uma enorme curiosidade quanto à República Popular Democrática da Coreia – a chamada Coreia do Norte. O país, acusado e pintado como um grande vilão na geopolítica mundial – uma espécie de Estado Islâmico asiático – é alvo de ataques que vão desde uma campanha de propaganda midiática ferrenha, que nos afeta ao nível do senso comum, até provocações militares e diplomáticas por parte dos EUA.

É costumeiro que a Coreia do Norte ocupe espaço nos grandes jornais. Normalmente, trata-se de alguma peculiaridade local, por vezes um objeto cultural, que é exposto como a última maluquice do Presidente insano do país. Foi assim, por exemplo, quando norte-coreanos foram filmados chorando e aos berros depois da morte do Presidente Kim Jong-il. Os mais ingênuos, naturalmente, pensaram tratar-se de mais uma heresia do regime, que, afinal, sendo como é, obrigou seus cidadãos a irem às ruas lamentar a morte do líder.

Não demorou muito para que alguém tivesse a ideia de procurar cenas do funeral de algum líder sul-coreano. As reações à morte do ex-Presidente da Coreia do Sul, Park Chung-hee, são idênticas:

A mais recente disputa, como é de costume, é um teatro completo. Depois do anúncio do lançamento do filme “A entrevista”, o estúdio Sony Pictures sofreu um ataque, e teve informações confidenciais vazadas. O que no geral não se comenta, no entanto, é que os hackers responsáveis pelo ataque só citaram o filme depois da mídia americana fazer suposições e relacionar o vazamento ao lançamento do filme.

Outro ponto fundamental a se observar é que o relatório do FBI sobre o caso não demonstrava concretamente que o ataque partiu da Coreia do Norte. Por esse motivo, ele foi desacreditado por diversos especialistas; entre eles Marc Rogers, diretor de segurança da maior conferência hacker do mundo (DEFCON) e Chefe de Pesquisa em Segurança da CloudFlare:

“[…] O que eles [o FBI] estão dizendo é que endereços de internet achados depois do ataque à Sony Pictures são endereços “conhecidos”, que já foram usados pela Coreia do Norte em outros ataques virtuais.

Para especialistas em segurança cibernética, a ingenuidade dessa afirmação implora por crença. Nota para o FBI: Só porque um sistema com um endereço IP específico foi usado em um crime virtual isso não significa que de agora em diante toda vez que você vir esse endereço IP você possa ligá-lo ao crime virtual. Além disso, enquanto algumas vezes os endereços IP podem ser ‘permanentes’, em outros casos eles duram somente alguns segundos,” disse o especialista em um artigo de dezembro de 2014.

Além de Marc, Kurt Stammberger, o vice-presidente da empresa de segurança virtual Norse, também não acredita na versão do FBI. Segundo disse em uma entrevista à rede de TV americana CBS, sua empresa conseguiu encontrar uma mulher, identificada como “Lena”, que estaria envolvida com os hackers e que trabalhou na Sony por mais de 10 anos, deixando a empresa em maio do ano passado.

Em resposta ao suposto ataque, a organização de direita Human Rights Foundation lançou uma campanha de arrecadação para enviar cópias do filme, pendrives com informações e panfletos para a Coreia do Norte, por meio de balões de gás, em parceria com Park Sang Hak, fundador da organização Fighters for a Free North Korea e membro do conselho da Human Rights Foundation.

A iniciativa, naturalmente, atraiu grande interesse por parte da imprensa – que, como de costume, ignorou a função investigativa do jornalismo e se ateve a publicar “perfis” das grandes personalidades por trás da campanha. Matérias sobre a iniciativa foram publicadas no The Wall Street Journal, The Independent e na Bloomberg. A Vice chegou ao ponto de ir à Coreia do Sul, para filmar o documentário “Launching Balloons into North Korea: Propaganda Over Pyongyang.”

O conteúdo que estaria nos pendrives e nos panfletos nos é desconhecido. A HRF nos respondeu, em dezembro do ano passado, dizendo que não poderia nos dar essa informação porque o grupo de Park Sang Hak constantamente muda suas mensagens.

Mas, afinal, o que é a Human Rights Foundation?

(Imagem: Reprodução)
(Imagem: Reprodução)

A HRF foi fundada pelo venezuelano Thor Halvorssen em 2005. Thor escreve para o Huffington Post e para a Forbes, e é filho de Thor Halvorssen Hellum, ex-Embaixador da Venezuela para Assuntos anti-Narcóticos durante o governo de Carlos Andrés Pérez.

Seu avô, o norueguês Øystein Halvorssen, foi representante de empresas como Dunlop, Alfa Laval e Ericsson – carreira que garantiu prosperidade à família Halvorssen na Venezuela. Além disso, Thor é primo de Leopoldo Lopez, um oposicionista do governo chavista na Venezuela, conhecido por ter colaborado com a tentativa de golpe em 2002 e preso no ano passado.

Entre os principais doadores da Human Rights Foundation está a Donors Capital Fund, um “fundo de investimentos na liberdade”, de acordo com seu slogan. Segundo um levantamento do site EletronicIntifada, a Donors Capital Fund doou cerca de 600 mil dólares para a Human Rights Foundation entre 2007 e 2011. O relatório “Fear, Inc” feito pelo Centro para o Progresso Americano com o objetivo de jogar luz sobre a indústria da islamofobia nos EUA, coloca a Donors Capital Fund entre as 10 maiores contribuidoras na propagação do ódio contra islâmicos.

Com certeza, trata-se do tipo de parceiro que não se quer ter quando se é uma fundação defensora dos direitos humanos.

Nos próximos dias, a HRF planeja lançar 10 mil cópias do filme “A Entrevista” em Pyongyang. O Exército Popular da Coreia declarou que “todo o poder de fogo das unidades na linha de frente será utilizado (…) para destruir os balões”. A Coreia do Sul, por sua vez, disse que responderá a todos os disparos feitos em direção a seu território.

Duas citações são fundamentais frente às ameaças: a primeira, de um jovem sul-coreano que protestava contra a Human Rights Foundation durante a gravação do documentário da Vice: “O Sul e o Norte estão atualmente sob cessar-fogo. E esse não é o momento certo para promover liberdade de expressão ilimitada”.

A última é de Seth Rogen, diretor de “A Entrevista”: “E se isso realmente gerar uma guerra, esperamos que as pessoas falem ‘Quer saber? Valeu a pena. Foi um bom filme!'”.