Professores do Paraná encerram greve de 49 dias letivos

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(Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

por Alex Rodrigues | Agência Brasil

Professores e servidores da rede estadual de ensino do Paraná decidiram hoje (9) encerrar a greve que, somada a duas paralisações recentes, completou 49 dias letivos. A decisão foi aprovada durante assembleia que, segundo o Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), reuniu cerca de 12 mil trabalhadores no Estádio da Vila Capanema.

“Pela educação pública, em respeito aos nossos estudantes, dizemos aos paranaenses que a greve está encerrada. A luta continua no chão de nossas escolas”, anunciou o sindicato em uma rede social, na qual muitas pessoas que se identificam como professores lamentaram a decisão.

“Não acredito que vou conseguir voltar [à sala de aula] de cabeça erguida, mas sim envergonhado. Poderíamos ter feito mais”, comentou um internauta. “Agora teremos que trabalhar aos sábados, por uma luta perdida”, disse outra pessoa insatisfeita. O sindicato respondeu que cerca de 70% dos presentes à assembleia votaram pelo retorno ao trabalho, que a vontade da maioria deve ser respeitada e que a categoria deve continuar unida.

A categoria aceitou a última proposta apresentada pelo governo estadual e receberá 3,45% de reajuste a partir de outubro. Na mesma rede social que utilizou para anunciar o fim da greve, o sindicato dos professores reconhece que o percentual concedido é inferior aos 8,17% de aumento que a categoria reivindicava, mas lembra que os dias parados não vão ser descontados do pagamento dos professores que, em contrapartida, terão que repor as aulas perdidas.

Em janeiro de 2016, os servidores devem receber novo aumento, com a inflação acumulada em 2015, mais 1 ponto percentual. A mesma medida deve ser tomada em janeiro de 2017.

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, também não serão abertos processos administrativos contra os diretores de escola que entregarem os relatórios mensais de frequência dos professores e funcionários e nenhum professor temporário será demitido por ter aderido à greve.

Com o fim da greve, iniciada em 25 de abril, cerca de 1 milhão de alunos matriculados em cerca de 2,1 mil escolas que estavam sem aula poderão retornar às escolas amanhã (10). A secretaria já adiantou que os 200 dias letivos e as 800 horas-aula exigidas pela Lei de Diretrizes e Bases serão cumpridos conforme um calendário de reposição das aulas que ainda vai ser elaborado e terá que ser homologado pelos núcleos regionais de Educação.

Além da duração, a paralisação dos profissionais foi marcada pelo excesso policial, ao impedir que grevistas e manifestantes se aproximassem da Assembleia Legislativa do Paraná, no dia 29 de maio. Pelo menos 170 manifestantes, na maioria professores, ficaram feridos na ação policial

Polônia: a chave do “milagre” alemão (Parte 4, de 10)

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(Foto: AFP)

por Alejandro Acosta | Leia aqui a terceira parte desta série de artigos.

Transnítria? Não. O objetivo é controlar a Moldávia.

A recente nomeação do ex presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, como governador da província (oblast) de Odessa, pelo presidente ucraniano Petro Poroshensko, teve como objetivo aplicar uma política de estrangulamento contra a Rússia, entregando a Moldávia aos braços abertos dos vampiros da União Europeia e da OTAN.
A nomeação de estrangeiros é uma política normal do atual governo golpista. Há três deles ocupando cargos de ministros. A norte-americana, Natalie Jaresko, ex alta funcionária do Departamento de Estado, é a atual ministra das Finanças. Os outros dois são o ministros de Economia e da Saúde.

Odessa compartilha fronteira com a Transnítria, que é uma faixa de aproximadamente 140 quilômetros por 10 quilômetros de largura, de norte a sul, e que tem mantido um status independente, na prática, após a ter derrotado os exércitos da Moldávia e da România no conflito armado que aconteceu em 1992. Com a exceção da Osétia do Sul, a Abkházia e o Nagorno Karabakh, eles próprios estados “semi-párias”, ninguém reconhece o status de país independente da Transnítria. Nem a própria Rússia.

O objetivo do governo russo é exatamente o mesmo que aplica em relação a todas as demais minorias russas existentes nos países vizinhos; conter a agressividade do imperialismo e evitar a entrada desses países na OTAN, com o objetivo de manter um colchão (buffer) de segurança em torno das fronteiras da Rússia.

Mikheil Saakashvili foi presidente da Geórgia, entre 2003 e 2013, sobre quem o atual governo mantém um processo por corrupção. Ele foi o principal impulsionador da entrada da Geórgia na União Europeia e na OTAN. Após ter aberto o país aos monopólios, Saakashvili sofreu um enorme desgaste por causa da derrota militar para a Rússia, após a tentativa de dominar pela força as regiões separatistas da Abkházia e da Osétia do Sul, em 2007. O imperialismo, “atolado” nas guerras do Iraque e do Afeganistão, não tinha fôlego para enfrentar a Rússia, uma potência militar que estava renascendo e que era uma potência militar de primeira ordem.

Os golpistas de Kiev buscam apertar o cerco contra a Transnítria, impedindo o fornecimento russo, do território e dos 1.200 soldados russos ali estacionados, que passa pela Ucrânia. Essa política tem na Polônia o principal articulador, que busca aumentar o seu poder como potência regional da Europa Oriental, incorporando a Moldávia, junto com a própria Ucrânia, aos países sobre o seu controle direto.