Os que tombaram libertando Debaltsevo

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Na última quinta-feira (26), no principal teatro da cidade de Pervomaisk, ao leste da Ucrânia, quatro combatentes do Grande Exército do Don, que tombaram libertando Debaltsevo, foram velados.

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(Foto: Revista Opera)

Dentro do teatro, guardado por retratos do revolucionário russo Vladimir Lenin e por um hall com fotos e feitos dos camaradas que tombaram, diversos soldados e comandantes da região se uniam aos familiares dos guerreiros. Entre eles, haviam membros da unidade de Babay e de Paltinik.

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(Foto: Revista Opera)

O velório foi realizado na crença ortodoxa. Os que caem em combate têm os velórios feitos de acordo com sua fé.

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(Foto: Revista Opera)

Perante o som dos cantos ritualísticos os familiares se afundavam em lágrimas, e os militares prestavam suas homenagens.

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(Foto: Revista Opera)

Confira mais fotos de nosso correspondente: http://on.fb.me/1zqHcIo

Brasil de 200 bilhões de barris

GERALDOVANDRE

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania | (Foto: Ag. Petrobras)

O setor do petróleo fornece um farto material para a constatação da ganância humana. Com a pretensão de trazer alguma explicação para o que acontece nestes dias com o Brasil, sem existir preocupação alguma da mídia para explicar, defendo a tese de que ocorreu uma rápida ascensão do nosso país no ranking daqueles atrativos para o capital internacional. Até 2006, era um país com abundância de recursos naturais, território e um razoável mercado consumidor. Mas ele não possuía petróleo em quantidade suficiente para se tornar grande exportador. Era fornecedor de minérios e grãos não tão valiosos no mercado internacional quanto o petróleo. Implícito está que o preço do barril irá subir brevemente para algum valor, pelo menos, em torno de US$80.

A partir dos anos 90, o Brasil perdeu graus de soberania e passou a ser um exemplar subalterno do capital internacional. Por exemplo, tem uma lei complacente de remessa de lucros, permite livre trânsito de capitais, não protege a empresa nacional genuína, tem uma política de superávit primário e câmbio que tranquiliza os rentistas, permite a desnacionalização do parque industrial, oferece a subsidiárias estrangeiras benefícios fiscais e creditícios, tem uma mídia hegemônica pertencente a este capital, que aliena a sociedade, e possui uma defesa militar incipiente. Assim, pode-se dizer que, após 1990, a sociedade brasileira passou a ter uma maior sangria de suas riquezas e seus esforços para o exterior. Este era o Brasil subalterno, que só tinha 14 bilhões de barris de petróleo, suficientes somente para 17 anos do seu consumo.

Em 2006, descobre-se o Pré-Sal, que pode conter de 100 a 300 bilhões de barris de petróleo, dos quais 60 bilhões já foram descobertos – e em menos de dez anos. Ao mesmo tempo, começou-se a recuperar a proteção à industria nacional, com a proibição da compra de plataformas de petróleo no exterior. Também, decidiu-se recompor as Forças Armadas, com o desenvolvimento de submarinos e caças no país, e, também, novos equipamentos de defesa para o Exército. Recentemente, decidiu-se desenvolver um avião militar de transporte de carga.

O Brasil, que já vinha participando do Mercosul, amplia sua interação soberana em outros fóruns internacionais, como a Unasul, a Celac e os Brics, contrariando interesses geopolíticos dos Estados Unidos. Recentemente, um banco e um fundo monetário dos Brics foram criados. Ocorreu no período, também, a mudança da política externa do Brasil, que buscou a aproximação com os países em desenvolvimento da África, do Oriente Médio e de outras regiões, sem hostilizar os Estados Unidos, a Europa e o Japão. A presidente Dilma propôs aos países da ONU uma ação conjunta para conter a espionagem internacional, que tem participação da CIA e da NSA, do governo dos Estados Unidos.

Com a descoberta do Pré-Sal, abandona-se o modelo das concessões, que permitia a quase totalidade do lucro e todo o petróleo irem para o exterior. Adota-se o modelo do contrato de partilha para esta área, que é melhor do que a concessão. No contrato de partilha, uma parte adicional do lucro, acima do royalty, vai para o fundo social e parte do petróleo vai para o Estado brasileiro. Decidiu-se também escolher a Petrobras para ser a operadora única do Pré-Sal, o que é importante para maximizar a compra de bens e serviços no país. No leilão de Libra, foi formado um consórcio com a participação de duas petrolíferas chinesas, fugindo-se ao esquema de só participarem empresas ocidentais. No final do ano de 2014, quatro campos do Pré-Sal, que somam cerca de 14 bilhões de barris, foram entregues diretamente à Petrobras, sem leilão, o que contrariou as petrolíferas estrangeiras que desejavam vê-los leiloados.

A partir da descoberta do Pré-Sal, a Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos é reativada em 2009, o presidente norte-americano Barack Obama vem ao Brasil em 2011 e seu vice-presidente se transforma em figura fácil de ser encontrada aqui. Ele se reúne diretamente com a presidente da Petrobras, o que é muito estranho. O governo norte-americano procura levar a qualquer custo a presidente Dilma para uma visita oficial aos Estados Unidos, com direito a jantar na Casa Branca, considerada uma honraria sem igual. Por esta e outras razões, FHC gostaria muito de o Pré-Sal ter sido descoberto no seu mandato, mas ele só se preocupava em preparar a Petrobras para a privatização. Surpreendentemente, meu candidato a um prêmio das Nações Unidas para grandes promotores da paz no mundo, Edward Snowden, nos informa que até os telefones da presidente Dilma foram interceptados pela inteligência estadunidense.

O tempo passa e chega o momento de nova eleição presidencial no Brasil. O capital internacional de forma geral e, especificamente, o capital do setor petrolífero, com grande influência na Casa Branca, quiseram aproveitar esta eleição para mudar algumas regras de maior soberania, estabelecidas nos últimos anos, inclusive as do Pré-Sal. Além disso, o capital internacional quer eleger um mandatário do Brasil mais subserviente. Assim, explica-se a campanha de muito ódio e enorme manipulação executada pela mídia deste capital no período eleitoral. Possivelmente, a NSA e a CIA, utilizando empresas estrangeiras aqui estabelecidas, devem tê-las incentivado a contribuir com recursos para eleger os seus candidatos em 2014, formando uma bancada no Congresso Nacional que é um misto de entreguistas com alienados corruptos, porém, muito fiéis aos doadores de campanha.

Com o acontecimento independente da descoberta dos ladrões na Petrobras, aliás, muito bem-vindo pelos estrategistas do roubo do petróleo nacional, o terceiro turno da campanha presidencial tomou corpo na mídia, assim como a tarefa de confundir a população para acreditar que a Petrobras rouba dinheiro do povo e não são os ladrões ocupantes de cargos nela que roubam.

Com uma Petrobras fraca, de preferência até privatizada, fica mais fácil levar o petróleo do Pré-Sal. Um fato importante é que, no governo FHC, existiram denúncias que a Polícia Federal e o Ministério Público pareceram ser ineptos e a mídia criminosamente benevolente com o governo. Uma destas denúncias foi a de compra de votos para a reeleição, que, mesmo com um réu confesso declarando ter recebido dinheiro para votar a favor da reeleição, nada teve de apurada; já a mídia, deu divulgação mínima e o Ministério Público não apresentou denúncia à Justiça.

Enfim, para o bem ou para o mal, tudo mudou de figura. Morreu o Brasil de só 14 bilhões de barris de petróleo. Ele terá, brevemente, uma reserva de 200 bilhões de barris, que corresponderá a uma das três maiores do mundo e irá requerer muitas medidas de soberania, se é que a sociedade brasileira deve usufruir desta riqueza. Assim, agora, na visão do capital internacional, o Brasil não chega a estar se tornando um país antagônico, como China, Rússia, Irã e Venezuela, mas está criando regras e tomando medidas hostis a este capital. Está-se no estágio da busca da cooptação dos poderes e do controle da população pela mídia do capital.

Contudo, a população não está, na sua imensa sabedoria, acreditando tanto na mídia. Se a população não der apoio para o plano do impeachment da presidente, novas tramas poderão acontecer, como uma “primavera brasileira para tirar os ladrões da Petrobras do governo”. Eventualmente, será um golpe de Estado dado pelo Congresso com o apoio da mídia. O povo precisa não dar apoio à quebra do regime democrático e não apoiar também governantes que permitam a perda do Pré-Sal.

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Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania, acesse o blog o autor.

Euromaidan: um ano após o golpe

GERALDOVANDRE

(Foto: Reuters/Gleb Garanich)

Há um ano, durante uma viagem do então Presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, a oposição ucraniana, com a legitimidade trazida pelas violentas manifestações em Kiev, derrubava um governo democraticamente eleito com um processo de impeachment inconstitucional, aprovado pelo Parlamento.

Desde então, mais de 5 mil morreram em meio à guerra civil que assola o país. A hyrvna, moeda ucraniana, tem perdido seu valor abruptamente – em 2014 caiu 40% em relação ao dólar. O PIB foi reduzido em 10%, e a inflação chegou a 19%.

A Ucrânia teve que pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional – que aprovou um empréstimo de 17 bilhões ao país. Sem a ajuda internacional, a economia seria reduzida em 10%. Com a ajuda, assegura o primeiro-ministro da Ucrânia, a redução será de pelo menos 3%.

O golpe na Ucrânia teve como principal motivação a iniciação de um acordo econômico do país com a Rússia. Hoje, o país se ajoelha perante a Europa, os EUA e o FMI, pedindo por dinheiro e armas.

Mas o pior está por vir. As tensões com a Rússia aumentam a cada dia. O exército ucraniano, que combate no leste do país, é derrotado repetidamente (a derrota mais recente foi em Debaltsevo, aonde frente a uma ofensiva dos combatentes do leste, o exército ucraniano foi obrigado a deixar a cidade) e algum dia o fantasma do FMI irá a Kiev, como foi em tantos países europeus e latino-americanos, e cobrará o povo da Ucrânia pela “ajuda” fornecida.

O novo governo

A catástrofe militar e econômica se soma ao completo desastre político do país. O novo governo da Ucrânia, que deveria acabar com a corrupção e melhorar a economia do país, é formado por pessoas como:

Arseniy Yatsenyuk; foi Ministro da Economia de 2005 a 2006, Ministro de Relações Exteriores em 2007, e Presidente do Parlamento de 2007 a 2008. Hoje é primeiro-ministro. Yatsenyuk é criador da fundação “Open Ukraine”, que ostenta entre seus parceiros a National Endowment for Democracy, desde 2009, a International Renaissance Foudation; de George Soros, e a OTAN, desde pelo menos 2011, entre outros. Yatsenyuk foi citado como favorito para o novo governo em uma conversa telefônica vazada entre Victoria Nuland, Secretária Assistente do Estado Americano, e Geoffrey Pyatt, Embaixador dos EUA na Ucrânia.

Arsen Avakov; empresário armênio e atual Ministro de Assuntos Internos, foi governador da Carcóvia de 2004 a 2010. Em janeiro de 2012, é acusado de transferir ilegalmente 55 hectares de terra, e é colocado na lista de procurados pela INTERPOL.

Natalia Ann Jaresko; americana e atual Ministra de Finanças da Ucrânia, trabalhou de 1992 a 1995 no Departamento de Estado Americano. Foi membra do conselho da fundação Open Ukraine, citada acima, além de CEO e sócia-fundadora da Horizon Capital, também parceira da fundação de Arseniy Yatsenyuk.

O atual Ministro de Política Social, Pavlo Rozenko; trabalhou de 2010 a 2011 como um expert no Razumkov Center, um think tank ucraniano com orçamento médio anual de 600 mil dólares. O think tank assina em 2010 um documento intitulado “A aliança com a qual gostaríamos de colaborar e ser parte”, hospedado no site da OTAN, na qual se defende, entre vários pontos, a “[…]filiação [da Ucrânia à OTAN] como um ponto essencial para a segurança nacional.”

Aivaras Abromavičius; Ministro do Desenvolvimento Econômico e Comércio da Ucrânia, é sócio da multinacional do setor de investimentos East Capital. Em entrevista à BloombergView em janeiro desse ano, se demonstrou favorável a cortes em gastos públicos.

O Ministro de Política de Informação, Yuriy Stets; trabalhou como produtor-chefe no Channel 5, canal de televisão cujo proprietário é Petro Poroshenko, atual Presidente da Ucrânia. A criação do “Ministério da Verdade”, como alguns críticos chamam, foi amplamente criticado como um ataque à liberdade de imprensa. Dunja Mijatovic, representante da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), também se colocou contrária a criação do Ministério por essa razão.

Serhiy Kvit; Ministro da Educação e Ciência da Ucrânia, é membro da organização paramilitar de extrema-direita Tryzub, cujo líder era Dmytro Yarosh (hoje líder do Setor Direita).

O Ministro da Juventude e Esportes da Ucrânia, Ihor Zhdanov; também trabalhou no Razumkov Centre de 1995 a 1997 e depois de 1999 a 2005. Em 2004 trabalhou como analista da campanha eleitoral de Viktor Yushchenko, líder da chamada “Revolução Laranja” e opositor de Viktor Yanukovich.

Conclusão

Um ano se passou, e tudo mudou para pior. A população no leste vive mal, e a do oeste também. O sonho de uma “nova Ucrânia” defendido por manifestantes durante o Euromaidan não passava de uma série de sombras projetadas na população encavernada pela União Europeia e os EUA, em parceria com seus serviçais em Kiev. Para isso não houveram limites. Reviveram Stephan Bandera, o fascismo e o ultranacionalismo ucraniano. Incendiaram pessoas vivas, destruíram sedes de partidos e espancaram comunistas. Bombardearam e bombardeiam civis, censuram e atacam jornalistas. Não resta alternativa à Ucrânia; ou a Junta de Kiev é derrubada e os planos do Comandante Mozgovoi são colocados em prática, ou um futuro assombroso recairá sobre o país.

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Por Pedro Marin